Fala moçada retrogamer carnavalesca!!!
E aí, como estão passando esse carnaval? Para mim, está sendo uma ótima oportunidade para descansar, me aprofundar cada vez mais no universo retrogamer, além de tirar o atraso em relação aos filmes acumulados que eu tenho que assistir (já falei para vocês que também sou cinéfilo? =D). Não que eu não goste de carnaval, mas é que, infelizmente, essa festa popular está deixando de ser popular (é só ver, por exemplo, o desfile das escolas de samba). Mas esse blog não é sobre cinema, muito menos um diário pessoal. O povo que visita essa joça quer saber de jogos e é isso que eles vão ter!!! =D
Ikari Warriors é um jogo de ação lançado pela SNK em 1986. Muitos pensam que esse jogo é a resposta da criadora do Neo-Geo a Contra (caso algum dos leitores não conheça Contra, pegue já sua coleção de emuladores e jogue até zerar!! =D), mas na verdade o primeiro do estilo, feito pela Konami, é Commando (não confundir com “Capitain Commando”, “Bionic Commando”, ou então “Comandos em Ação”!! =D), criado pela empresa de “Street Fighter” um ano antes (quem sabe eu fale sobre ele num futuro post?). Conhecido simplesmente por 怒 (Ikari, literalmente “ódio”) no Japão, este foi o primeiro grande lançamento da SNK nos EUA (distribuído por lá pela Tradewest) e, num mercado dominado por inúmeros clones de “Commando” no mercado, a SNK teve que fazer um trabalho no mínimo digno para se destacar frente aos outros.
O jogo também é conhecido pelos amantes dos jogos de luta (especialmente por aqueles que veneram a série “The King of Fighters”) por trazer pela primeira vez os personagens Ralf e Clark. Nada mais justo, afinal a série de luta foi lançada como uma reunião de todos os personagens da empresa (com mais alguns convidados, é claro). O enredo, simples como sempre deve ser nesse estilo: Ralf e Clark são designados para salvar o seu comandante, que se encontra preso numa floresta da América do Sul, munidos apenas de uma metralhadora, granadas, um tanque que aparece esporádicamente e um nível de testosterona tão alto a ponto achar que serviria de colete a prova de balas contra milhares de inimigos fortemente armados e sedentos de sangue. Ou então eles viram demais os filmes da série “Rambo”. =D
Como todos os jogos do estilo (especialmente aqueles feitos pela “placa do momento”, a Zilog80!! =D), os gráficos são simples, mas cumprem com louvor o seu papel. Árvores, terra molhada, pedras no meio do caminho, pontes, poças d´água, rios, todos os apetrechos que adornam um típico ambiente florestal são representados em sprites nesse jogo. Os inimigos, como era de se esperar, não apresentam muita variedade gráfica, o que acaba não fazendo muita diferença (é só ver os filmes de ação/guerra que inspiraram esses jogos, são recheados de figurantes contratados para serem atingidos pelas milhares de balas disparadas pelo herói, a diferença aqui é que eles podem acertá-lo! =D).
Ao contrário de alguns jogos da época, não há uma mudança de tela quando se derrota um “chefe de fase”. Isso para alguns pode soar como um defeito, mas acaba dando um certo charme ao jogo, pois cria uma impressão de uma urgência que confere um certo charme e semelhança com uma experiência cinematográfica, como se você mesmo fosse o próprio “Rambo”.
Como dito anteriormente, o jogador dispunha de uma metralhadora e granadas. Mas, ao contrário da grande maioria dos jogos do gênero, não só as granadas, mas a metralhadora eram de uso limitado, precisando de power-ups (que também davam um upgrade nas sua munição) para serem recarregadas. Assim, adicionava ao já difícil jogo uma pitada de estratégia, já que não bastava sentar o dedo no botão e atirar desenfreadamente para qualquer direção, sob pena de ficar sem balas num momento indesejável e ficar mais furado que queijo suíco.
Uma curiosidade desse jogo diz respeito a sua conversão para o mercado norte-americano. No original japonês, os inimigos que você enfrenta durante o jogo revelam-se como nazistas (com direito a “tela final” com um tapete vermelho adornado com uma suástica). Na conversão para os EUA, provávelmente com medo de chocar algum descendente de alemães ou até mesmo de ser processada por um neo-nazista, a suástica foi retirada. Afinal de contas, os Arcades eram jogados predominantemente por crianças na época, não é mesmo? [ironia mode on]
A jogabilidade aqui é um caso a parte. A grande característica de “Ikari Warriors”, e que dificultou e muito a minha adaptação ao jogo, é que o Arcade dispunha de joysticks rotatórios (criado pela própria SNK). Explica-se: normalmente, os joystics Arcade permitem a movimentação do jogador em oito direções (daí a alcunha 8-way joysticks). No caso de Ikari Warriors (que não foi o primeiro da SNK a vir com esse recurso, mas foi o que popularizou), eles permitiam também rotacionar o jogador na direção que ele desejasse, assim eles poderiam andar e atirar em 360º ao mesmo tempo, permitindo assim uma precisão maior e (muito) necessária àquele que ousar enfrentar o jogo (apesar de causar uma impressão de que estávamos “quebrando as costelas” do nosso guerreiro!! =D). Infelizmente, como não dispunha desse artifício, nem conheço ninguém que possa construir um para mim, tive que utilizar um joystick Arcade convencional, o que dificulta ainda mais a jogatina.
Enfim, tirando esse contratempo dos joysticks rotatórios, é um jogo que, se não tem em sua concepção algo original, apresentava algo novo e único na sua jogabilidade. Mesmo sendo difícil até a medula, vale a jogatina, de preferência com uma faixa vermelha na testa e trajado apenas com uma calça camuflada e uma botina. Como ainda estamos no carnaval, pode até servir como fantasia!
E assim temos mais um post no “Relíquias do MAME”! Como sempre, o blog pode ficar um bom tempo sem um post, mas isso não significa que ele será abandonado (bom, pelo menos não por enquanto!). Sendo assim, fiquem sempre ligados no meu twitter para novidades no blog (bem como outras besteiras de 140 caracteres que escrevo por lá!). E o próximo jogo a ser comentado já está no nosso cabeçalho, portanto, comentem, e tentem advinhá-lo.
Até a próxima e bons games a todos!




































