08) Um jogo em que você tem que atirar em tudo e ser um Ayrton Senna ao mesmo tempo!

E lá vamos nós para mais um post!!

Se vocês já acompanham o blog há algum tempo, sabem que o meu primeiro post envolveu um shooter que se diferenciava dos outros pelo fato de que era quase que um jogo de luta entre naves (ou, melhor dizendo, quase que um jogo apenas com chefes). Só que as experimentações com os shooters não pararam por aí. Em meados dos anos 90, antes do”bullet hell” se estabelecer como a evolução natural do gênero, algumas empresas tentaram inovar, adicionando novas características ao clássico “pilote uma nave e atire em tudo que se mexer”. Já falamos sobre a contribuição da Sammy ao gênero. Hoje, falaremos sobre a contribuição de uma das empresas geradas pela dissolução da Toaplan (empresa conhecida por gerar a gênese do Bullet Hell, “Batsugun”), a 8ting/Raizing. Sendo assim, senhoras e senhores, apresento a vocês…

Tela inicial do jogo

Kingdom Grand Prix (ou Shippu Mahou Daisakusen – 疾風魔法大作戦 – caso você queira treinar o seu japonês) produzido em 1994 para os Arcades, é o segundo jogo da série Mahou Daisakusen da empresa. Mas, ao contrário dos outros da série, esse é um jogo bastante peculiar. Isso porquê ele é um mashup bastante criativo de shooter + corrida. Isso mesmo que você leu: além de se preocupar com os zilhões de inimigos que aparecem para te importunar, você ainda têm que se lembrar que está numa corrida, ou seja, chegar nas primeiras colocações.

Mas qual é a justificativa para juntar dois gêneros tão distintos? Bom, o único traço de explicação pode ser encontrado no fiapo de história do jogo (tirado e traduzido livremente da wikipedia):

“Por décadas os reinos estavam em guerra. Muitos inocentes sofreram e muitas legiões de homens valorosos perderam suas vidas.  Para acabar com a guerra, o Rei teve uma idéia: uma corrida onde cada etapa corresponderá a cada parte do reino. Qualquer um está convidado a participar. Com isso, a guerra terminou e a população espera ansiosamente por essa competição a cada ano.”

Ou seja, se você quiser acabar com uma Guerra que está devastando o seu reino, basta construir várias “pistas”, enchê-las de obstáculos e monstros, colocar vários competidores na pista, cobrar um preço módico pelas entradas (com direito a pacotes promocionais e entradas VIPS) e promover uma competição sadia. É a fórmula do “pão e circo”, utilizada desde os tempos dos romanos. =D

Como todo bom shooter, toda a jogabilidade é executada com um direcional e apenas dois botões: um para os tradicionais tiros da sua nave e outro para as tradicionais e salvadoras bombetas. Pressionando o botão de tiro a sua nave, você acelera (mas fica impossibilitado de atirar). Apesar de uma das características de um bom shooter ser justamente essa simplicidade nos controles, nesse jogo acaba não sendo a melhor escolha. Como o elemento de corrida é tão importante como ficar vivo e acumular pontos, um terceiro botão para acelerar a sua nave seria uma alternativa mais viável. Ainda assim,  depois de algumas jogatinas, você acaba se acostumando, e usando o turbo nos (poucos) momentos de calmaria.

Os oitro competidores dessa corrida maluca! =D

Como foi dito no decorrer do post, tão importante quanto se manter vivo no jogo, é pontuar nas corridas. São doze “pistas”, com seis fases iniciais ao todo: a primeira fase é pré-definida. Uma vez completada, você pode escolher entre dois circuitos para correr (e, na sexta fase, três circuitos estão a disposição). Ao terminar o campeonato (vivo, de preferência! =D) em primeiro, você ainda pode jogar as outras seis pistas remanescentes. O design das fases é bem diversificado, tendo desde circuitos congelados, corredores estreitos, pistas localizadas em vulcões, e até mesmo um local mal-assombrado.

Ei, por que você não atacou os outros competidores?

Outra particularidade do jogo é que os bosses aparecem no meio de cada fase, ao invés do usual encontro no final das mesmas. A princípio, essa opção causa um estranhamento, mas acaba se tornando muito adequada para o jogo, pois permite que o jogador dê um sprint final para recuperar posições perdidas.

Esse é o momento que vc diz: ferrou!

Quanto a dificuldade, serei simples e direto: o jogo é difícil pra carvalho! Não pense que pelo fato do jogo ser um híbrido shooter/corrida que o jogo ficou mais amigável. O jogo carrega todas as particularidades de um bom “arranca-ficha”, ainda têm o fato de que, inexplicávelmente, os inimigos que compõem cada pista atacam apenas você. Isso sem contar que você não pode deixar todos os competidores passarem por você, e a única maneira de atrasá-los é jogando bombas (cuja quantidade é bem limitada) na sua direção. Ou seja, há tantas coisas para se preocupar que você acaba esquecendo de uma delas. Isso acaba afastando um jogador menos hardcore.

Flyer japonês do jogo!

Com muitas particularidades e um design de fases interessantíssimo, além de uma mistura interessante de shooter e corrida, Kingdom Grand Prix não iniciou uma tendência, mas mostrou que um pouco de ousadia em fugir dos padrões usuais do gênero não só é necessário para que não ocorra a sua estagnação. Apesar de serem as cinematográficas sequências de franquias de sucesso que movimentam financeiramente a indústria, são as pequenas produções que anunciam as possíveis franquias do futuro.

Para vocês terem um gostinho a mais de como essa mistureba funciona, segue abaixo três vídeos que mostram o gameplay completo do jogo:

 

Antes de colocar o parágrafo final, um pequeno adendo: Kingdom Grand Prix foi adaptado, dois anos depois, para o Saturn. A adaptação ficou a cargo de uma outra empresa, cujo nome é bastante familiar para nós retrogamers brasileiros. Querem saber qual é o nome dessa empresa? Então olhem a figura seguinte e se espante como eu:

Mas quem imaginaria isso? =D

Quem diria que o nosso famoso “Orakio Rob”, o grão-mestre da blogosfera retrogamer, o todo-poderoso do site “Gagá Games”, também preside uma empresa especializada em conversões de arcades para os consoles domésticos. O que será que aconteceu com a GAGA communications? Orakio, por favor se pronuncie!!

E assim encerramos mais uma postagem do Relíquias do MAME. Posso não ter cumprido o prazo “extra-oficial” de duas semanas, mas ainda assim é bem melhor do que “um post a cada dois meses”, vocês não acham? Já tenho alguns outros jogos engatilhados, e vocês já podem tentar advinhar qual o próximo a ser comentado. Esse já é bem mais conhecido do que os outros já comentados, mas ainda assim é um pouco renegado por alguns (além de eu ser um fã incondicional desse jogo).

Até a próxima e viva aos Arcades (e ao M.A.M.E.)!!

Sobre A.L.A.S.

Um indivíduo extremamente saudosista e retrogamer disposto a ser um "Indiana Jones" dos arcades! =D
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6 respostas para 08) Um jogo em que você tem que atirar em tudo e ser um Ayrton Senna ao mesmo tempo!

  1. helinux disse:

    reliquia mesmo!!!!

  2. Putz, como esse cara descobriu o meu envolvimento com esse jogo?

    Eu montei a Gaga Communications em 1995 para vender walk-talkies chineses em Brasília. A ideia mesmo era vender charutos cubanos por lá, mas nessa época eu era menor de idade e não podia compar (e muito menos vender) charutos cubanos.

    Um dia, topei com um camarada chamado Pablo que afirmava deter os direitos do tal do Kingdom Grand Prix. Eu nunca tinha ouvido falar no jogo, mas como fã da era medieval e de competições automobilísticas, eu compro qualquer coisa que tenha as palavras “Grand Prix” e “Kingdom” no meio. As duas juntas, não tinha como errar, certo?

    Adaptei o treco pro Saturn. Programei a conversão toda sozinho em um VIC-20 usando linguagem Basic em apenas um mês, e o que é mais impressionante: com conjutivite no olho esquerdo. Um feito, eu ia entrar para a história e pegar muitas mulheres peitudas. Mas aí liguei para meu sócio na Gaga Communications e descobri que tinha outro trabalhando em meu lugar: Jeremias, maconheiro sem vergonha que não entendia nada de arte e simplesmente adaptou o código do arcade para o Saturn em dois dias. Falei com o Pablo que queria um parceiro, que tinha dinheiro e queria me armar. No fim das contas, o Jeremias começou a fumar todas, mexeu com a minha gata, o pau quebrou e a última coisa que me lembro é das bandeirinhas e que sobrou paulada até pro sorveteiro.

    Dá um crédito aí, eu não tomei café hoje 😛

    • A.L.A.S. disse:

      “Putz, como esse cara descobriu o meu envolvimento com esse jogo?”

      Simples: contratei uma equipe de reportagem especializada em fofocas para desvendar os segredos mais cabeludos da blogosfera retrogamer brasileira. Afinal de contas, fofocas sobre os “famosos” dá audiência! =D

      Hahahahahah, sensacional a história, Orakio! Adaptar “Faroeste Caboclo” com a história da conversão para Saturn foi sensacional. Tô rindo até agora. Sabia que poderia contar com o seu bom humor! =D

  3. aki é rock disse:

    Caramba nunca vi esse arcade na vida Alas nos lugares que eu ia com meu brother não tinha esse jogo e olhando ele me parece ser muito interesante viu tenho que ver ele de perto para ter uma noção viu .

  4. Becker disse:

    Foi mal pelo atraso, mas está aí minha participação:
    http://supertecnicamente.wordpress.com/2011/12/16/o-que-voce-jogou-em-2011/

    que vergonha, não conheço praticamente nenhum destes jogos, tenho que frequentar mais esse blog…

  5. Rafael disse:

    Ae Adney! Aqui é o Rafael. Estive na ChronoGames no sábado e você comentou do blog. Muito legal cara, vou ter que separar um tempo pra ler tudo.

    Posta fotos aí do Mega + MegaCD pra me deixar com mais inveja! rs

    Abraços

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